Entrevista: Protocolo A Ordem Thiago Silva


1-O protocolo a ordem conseguiu a quantia necessária para ser produzido, agora que a história vai ser publicada você pode falar um pouco mais sobre ela?

O Procotolo: A Ordem vai reunir heróis de várias partes do Brasil para combater uma ameaça comum: uma invasão da raça alienígena nativa de Stron, o planeta de origem do herói chamado Crânio. Porém, a história vai muito além desta invasão: existe um herói traidor tramando em conjunto com os inimigos, e aparentemente eles tem um objetivo maior do que simplesmente invadir o planeta. Aos poucos, os leitores vão descobrir o que realmente é o Protocolo: A Ordem, como os heróis são recrutados, quem são os heróis conhecidos como Redentores e porque os heróis brasileiros não são admirados pela população.

 


2-  Como editor do projeto, o senhor sabe tudo o que acontece, será que podia revelar algum segredo sobre o que vai acontecer? Um gostinho a mais pra quem é fã.

Bom, antes de responder, acho importante esclarecer que eu sou o roteirista do projeto. O Editor do projeto, na verdade, é o Elenildo, criador do Capitão RED. E os editores da revista impressa são o Daniel (autor do RBoy) e o Augusto (autor do Inferno).

Infelizmente não posso adiantar muita coisa sobre o roteiro para não trazer spoilers, mas tem algumas coisas que posso contar. A primeira é que não teremos apenas um herói a morrer. Na verdade, serão três mortes no elenco. Os heróis também terão que lidar com algumas escolhas ao longo da história, se realmente devem ou não agir para deter os invasores. Os Redentores (um grupo cercado de mistérios) vão trazer alguns elementos para o leitor refletir sobre o verdadeiro papel de um herói. 


3- E sobre a sua carreira, como ela se deu início? Qual foi sua motivação? E o mais importante,existe algum projeto paralelo do qual você faça parte?

Eu comecei nos quadrinhos em 2010, quando dei início ao Projeto Chroma (www.projetochroma.net.br) com meus amigos Alexandre Garcia e Natalia Lhen. Minha primeira publicação foi em 2012 (o Volume 01 de Bandeirinha - Os Tesouros da Mãe Terra). Minha motivação é trazer HQs que agreguem valor aos leitores, histórias que conduzam à reflexão e à conscientização socioambiental.

Além do Protocolo: A Ordem, eu publico minhas próprias HQs pelo Chroma. No momento, publiquei três edições do Bandeirinha e duas do Dragão Negro, meu personagem que está no A Ordem. Também participei da coletânea Joãos & Joanas por Fulanos & Fulanas do autor e amigo Pedro Balboni (a qual também reuniu nomes como Fabio Coala, Vitor Caffagi e Mario Cau). No ano passado, desenvolvi também um projeto de quadrinhos para a Caixa Econômica Federal, a convite do próprio banco, voltada para seus os empregados.

 


 

4- Está sendo um desafio montar esta história? Com tantos personagens existe algum trabalhoso? Mais difícil para colocar no enredo?

Por um lado é realmente um desafio, pela responsabilidade de ter que trabalhar com os personagens de tantos autores. Procurei ser o mais fiel possível às características e às cronologias de cada personagem, pois se o leitor quiser conhecer estes personagens depois de ler A Ordem, ele encontrará o mesmo personagem na obra original do autor.

Por outro lado, eu me beneficiei bastante pelo fato de também ser um colecionador de HQs de heróis brasileiros. Por isso, vários dos heróis que estão no projeto eu já conhecia (tais como Vulto, Jaguara, Penitência, Resistente, Papo Amarelo, Velta, Crânio, RBoy e Penitente). Outros eu não conhecia, e tive o desafio de aprender mais sobre eles (foi o caso, por exemplo, do Soberano, Cover, Homem Trator e Max Power).

 

5- na sua opinião, por qual motivo os personagens e revistas em quadrinho nacionais são desvalorizados? Qual o seu preferido?

Hoje em dia, eu não vejo os quadrinhos nacionais totalmente desvalorizados. Existe um momento crescente de produção e de interesse do público no material nacional. Muitos autores realmente bons estão se destacando, e muitos bons eventos, com grande visitação do público, refletem este momento, tais como o FIQ em Belo Horizonte e a CCXP em São Paulo. Porém, esta valorização ainda não é total. E quando o assunto são os heróis brasileiros, esta valorização ainda é bem pequena.

Ao longo das duas campanhas do A Ordem, eu fiz uma pesquisa por conta própria, levantando os comentários e críticas construtivas feitas pelas pessoas que acompanharam o projeto. Eu acredito que existam dois lados nessa história. Por um lado, existem críticas realmente pertinentes, como a questão dos heróis americanizados. Infelizmente, alguns heróis brasileiros realmente lembram muito os heróis americanos, embora eu não veja má intenção do autor, apenas inspiração. Vale lembrar sempre que o Batman, da DC Comics, é um herói dos mais legais que existem, mas não é um personagem original: muitos dos seus elementos são inspirados em criações anteriores, tais como Zorro, Drácula e o Fantasma.

Por outro lado, existem leitores que estão tão enraizados aos personagens da Marvel e DC, que simplesmente generalizam a questão de heróis brasileiros americanizados, e ignoram os heróis que tentam seguir uma linha diferente.

A isto soma-se o fato de que existe certo ressentimento da mídia em geral com o artista nacional, e isso não vem apenas dos quadrinhos, e também não é de agora. Seja nos quadrinhos, na música, nos filmes, o fato é que a mídia adora enaltecer as obras internacionais e desdenhar dos produtos nacionais, ou então enaltecem os produtos nacionais que apenas lhe convém. E não sou só eu que digo isto: apenas para exemplificar, Renato Russo já falava sobre este assunto na década de 80, em suas entrevistas representando a Legião Urbana. Cerca de 30 anos depois, a questão ainda é a mesma.

Mas vamos focar nos quadrinhos. Existem várias críticas ao Lagarto Negro, do Gabriel Rocha, por exemplo, dizendo que ele é plágio do Aranha, mesmo o personagem tendo muitos elementos diferentes do nosso querido escalador de paredes. Mas temos a outra face da moeda na personagem Anarquia, do Emilio Baraçal, que é abraçada pela mídia mesmo sendo claramente inspirada em V de Vingança. E o leitor fica no meio desse fogo cruzado, seguindo a opinião da mídia e aumentando o preconceito contra o material nacional.

Na minha opinião, o que vai ser mais legal para os leitores de A Ordem é que eles terão em mãos um projeto diferente do que costumamos ver em termos de heróis nacionais, porque foca no lado comercial do mercado. É uma aventura que apresenta ao leitor o potencial de cada propriedade intelectual criada. O leitor que tiver disposição e a mente aberta vai se surpreender.

6- quando as revistas começaram a ser enviadas? Rsrsrs, estou ansioso pela minha .... 

A previsão que demos para a entrega das revistas é justamente este mês de Março, e estamos trabalhando bastante para cumprir esta previsão! O que posso garantir a vocês é que estamos fazendo nosso melhor para trazer a vocês uma HQ de qualidade que agrade aos leitores e aos admiradores desses personagens!

 

7-  Depois desta revista, já existe alguma outra edição sendo pensada? Mais personagens para serem usados, uma história nova talvez? Tenho alguns supers guardados....

Eu, particularmente, não posso responder a esta pergunta com relação ao A Ordem, pois o coordenador e mentor do projeto é o Elenildo, autor do Capitão RED. Existem iniciativas dos autores em aproveitar A Ordem na cronologia de seus próprios personagens (eu, inclusive). E existem sim projetos novos fora do contexto de A Ordem que pretendem reforçar este momento importante para os heróis brasileiros. Vou deixar no ar por enquanto, mas posso dizer com certeza que A Ordem é apenas o começo.